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Belo Horizonte,07/03/2026

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    Acabaste de partir: quando alguém que amamos se vai embora

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    Acabaste de partir: quando alguém que amamos se vai embora

    Uma das maiores dores que podemos experienciar é o luto. É sentir, profundamente, a partida de alguém que amamos.


    O luto não se resume à morte. Há também o luto em vida — a perda de pessoas que continuam presentes, mas que se afastam emocionalmente ou de formas que nos marcam.


    A tristeza sentida pela dor do abandono é intensa: o pulmão contrai, o coração parece esmagado e a alma seca de tristeza.


    Segundo a medicina chinesa, cada tipo de luto afeta o corpo de maneira distinta.


    O luto da separação — quando alguém se afasta ou nos deixa de forma emocional — impacta o rim e o pericárdio. O luto da morte, por sua vez, afeta o pulmão.


    Embora diferentes, ambos exigem atenção, respeito e tempo.


    O luto da separação deve ser vivido por menos tempo que o luto da morte, que, segundo textos antigos, é opressivo e intenso.


    É permitido, e até necessário, prolongar a experiência do luto da morte por até três anos, mas sempre com cautela.


    Um luto crônico deixa de ser a experiência natural da perda e torna-se um adoecimento psíquico. Não devemos permitir que a tristeza consuma-nos ao ponto de nos destruir.


    Vivenciar a perda de forma harmoniosa


    Como, então, experienciar a perda de maneira que nos transforme em vez de nos ferir?


    Devemos deixar as lágrimas correrem, mas, ao mesmo tempo, cultivar pensamentos saudáveis e equilibrados. A qualidade do que pensamos determina a qualidade da nossa energia.


    Cada pessoa vivencia a perda de forma única, mas trazer racionalidade ao processo — não para camuflar a dor, mas para elevar o sentimento — ajuda a não nos perdermos em emoções excessivas.


    Perante a perda, podemos escolher: nos tornamos vítimas ou nos tornamos fortes. O esforço é o mesmo, mas a evolução acelera quando aceitamos sair do papel de vítima.


    Muitas vezes, é a própria perda que impulsiona o nosso crescimento.


    Entre a dor e a consciência


    Relembro-me de um atendimento em que acompanhei uma senhora — para proteger a sua identidade, vou chamá-la de “Teresa”. Teresa carregava um luto por alguém ainda vivo há mais de dez anos.


    A dor do abandono e rejeição era tão profunda que a tristeza a consumia. E seus pensamentos ficaram presos numa teia de armadilhas mentais, dificultando qualquer movimento para a frente.


    É precisamente aqui que o autoconhecimento revela-se essencial. A qualidade dos nossos pensamentos e a capacidade de observar a vida através de lentes elevadas determinam a forma como sentimos os acontecimentos.


    Observar, compreender e integrar permite-nos transformar a dor em aprendizagem, em vez de sermos engolidos por ela.


    Como refere Luís Portela, na série “Para Além do Cérebro”, as vantagens do autoconhecimento incluem o prazer de um comportamento equilibrado e a sensação de bem-estar conosco próprios, com os outros e com a vida.


    É esse equilíbrio que nos permite atravessar o luto sem nos perdermos, encontrando crescimento mesmo nas dificuldades mais profundas.


    Forças que surgem na dor


    O corpo e a mente passam por um turbilhão de emoções diante da perda, mas é nesse movimento que encontramos oportunidade de crescimento.


    A vida, através da intrafisicalidade da existência, oferece-nos desafios que, quando atravessados com consciência, permitem-nos evoluir.


    Perder alguém não significa apenas dor — pode também ser uma porta para descobrir forças interiores que desconhecíamos possuir.


    Encontrar o que se foi


    E quando alguém que amamos fecha os olhos para a vida? Nesse momento, só podemos encontrar essa pessoa no nosso coração. Como fazer para escutá-la? E como guardá-la de forma que nos inspire e nos fortaleça?


    Partilho um texto que surgiu a partir de uma reflexão do Dr. Augusto Cury e que foi de grande inspiração para mim.


    “Vou homenagear o meu pai sendo mais alegre, sendo mais feliz. Se ele era tão importante, se ele era insubstituível na minha vida, então não o vou punir na aflição. Por amor a ti, vou dar o melhor de mim para fazer os outros mais felizes. Por amor a ti, não vou tornar a vida injusta comigo. Por amor a ti, vou doar-me mais à sociedade, vou começar a ser útil para as pessoas e tornar a minha vida um espetáculo imperdível de viver. A depressão não honra a história de vida de quem partiu. É uma atitude que não considera a grandeza da história de vida que ele teve. Vou escrever uma belíssima história diante do próprio caos.”


    Na verdade, quem se foi permanece sempre conosco, no nosso coração. Mas a nossa atitude é o que determina a qualidade dessa presença: será que estará lá em dor, aflição, depressão ou mágoa? Ou estará conosco em amor, aceitação e compaixão?


    A escolha é nossa — seja no luto da morte ou no luto da separação. Podemos deixar que a dor nos aprisione ou podemos transformar a memória numa fonte de vida, aprendizagem e crescimento.


    O reencontro além da separação


    E para concluir, quero partilhar um pouco da minha própria travessia no processo do luto da morte.


    No momento da partida do meu pai, ouvi algumas frases que eu achei interessantes e que refletem muito do que partilhei até aqui.


    Guardei-as comigo e deixo-as agora registadas, porque acredito que também podem trazer conforto e leveza a quem esteja passando por essa experiência.


    . “Não é que ele não está mais aqui, é que ele se mudou para dentro de nós.”


    . “Eu não perdi o meu pai. Eu o devolvi a quem o emprestou a mim.”


    . “O luto não é algo que se resolve. É algo que se atravessa.”


    . E claro, esta foi o meu próprio pai que me deixou: “eu não estou longe, estou apenas do outro lado do caminho.”


    Quando compreendemos a multidimensionalidade da vida, sabemos que a separação é apenas temporária.


    Sim, um dia iremos reencontrar-nos. Por agora, não sou eu quem determina quando poderei voltar a ver-te. Mas alimento a esperança desse reencontro, talvez já na próxima projeção astral.


    Até lá, resta-me sentir a tua energia, acolher as tuas sinaléticas e as mensagens que me chegas a transmitir. Ainda assim, reconheço: como eu gostaria de te ter deste lado… Recebe, com amor, o meu abraço apertado.




    Patrícia Carneiro – Psicoterapeuta em técnicas integrativas, vibracionais e bioenergéticas, com formação em leitura biológica, ThetaHealing, Usui Shiki Reiki Ryoho – nível I, cura prânica, radiônica clínica, apometria, shiatsu, aromaterapia, reflexoterapia, indução miofascial – nível I, II e III e acupuntura estética facial e corporal. Especialista em Medicina Tradicional Chinesa, pelo Instituto Português de Naturologia – IPN.


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