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Belo Horizonte,25/05/2026

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    Oríenxadigma: arte afrodiaspórica em circuito pelas regionais de BH


    Oríenxadigma: arte afrodiaspórica em circuito pelas regionais de BH

    Encontro entre Fernando Costaa e Babilak Bah propõe investigação sobre ancestralidade e memória em quatro centros culturais de Belo Horizonte. 

    Abertura da exposição acontece no dia 30 de maio, no Centro Cultural Venda Nova. 


    A partir de maio de 2026, o projeto Oríenxadigma inicia uma circulação por quatro regionais de Belo Horizonte, apresentando um diálogo inédito entre as obras dos artistas afrodiaspóricos Fernando Costaa e Babilak Bah. A exposição, composta por dez gravuras (Origrafias) e dez esculturas em ferro (Enxadigmas), aborda  questões da memória afrodiaspórica em MG: ancestralidade, trabalho, cosmologia africana, orixás e luta quilombola pela terra. O projeto circula por quatro regionais: Venda Nova (Centro Cultural Venda Nova), Norte (Lagoa do Nado), Noroeste (Centro Cultural Padre Eustáquio) e Nordeste (Centro Cultural Usina da Cultura). A abertura acontece no dia 30 de maio, sábado, no Centro Cultural Venda Nova, às 14h30. A entrada é gratuita. Mais informações no Instagram @orienxadigma.


    O Encontro

    Concebida pelos artistas Fernando Costaa e Babilak Bah, a mostra é fruto de encontros cotidianos: nas viagens de coletivo do bairro que compartilham, nas esquinas da cena cultural de Belo Horizonte, e sobretudo, na urgência de revelar as espirais do tempo onde futuro e ancestralidade se entrelaçam. Esses encontros revelaram que ambos artistas tinham produções com algo em comum: obras que destacam a ancestralidade africana e sua íntima relação com a resistência cultural dos negros em Minas Gerais. 

    Fernando Costaa recorda que, ao acompanhar a produção de Babilak Bah, percebeu a afinidade artística que possuíam: "Ao acompanhar os trabalhos do Babilak, percebi que tínhamos uma grande afinidade artística, apesar de usarmos suportes diferentes. Ambos discutimos elementos da cosmovisão afrodiaspórica como Orixás e ancestralidade. Trabalhar colaborativamente tem sido uma oportunidade de estabelecer trocas de experiências, seu companheirismo e experiência têm me ajudado muito na construção do Oríenxadigma, além de sua investigação do universo afrodiaspórico, que me estimula a pensar novos ângulos da questão em minhas criações.".


    Babilak Bah reforça que essa troca transita entre o estético e o espiritual: "Nossa troca se dá nos campos estético, subjetivo e espiritual, gerando aprendizados significativos na convivência criativa e pessoal. Destaco a forma como Fernando conduz o trabalho, com delicadeza, sapiência e equilíbrio emocional, o que se torna também um aprendizado sobre produção cultural e construção coletiva. Dos encontros entre dois homens negros no ônibus surgiu a decisão de unir nossos trabalhos, resultando em uma experiência potente e significativa.". 


    As obras em Orienxadigma

    Entre enxadas que ecoam como atabaques e gravuras que guardam o pulsar de Orí – conceito yorubá que compreende a cabeça como morada do destino e portal para os antepassados – nasce Orienxadigma, uma exposição que tece, em ferro, papel, tecido e  tinta, a memória viva da diáspora africana em Minas Gerais e ao mesmo tempo celebra a ancestralidade afrodiaspórica. 

    O multiartista Babilak Bah há anos vem investigando a estética afrodiaspórica em sua produção, seja na música, na literatura ou nas artes visuais. Enxadigmas são esculturas onde enxadas dançam em composições de ferro, rememorando as culturas africanas transplantadas para o Brasil. São híbridos de ferramenta e instrumento musical – quando tocadas, ecoam os sons das lavouras, dos terreiros, das rebeliões quilombolas. Nessas peças, a enxada – símbolo do trabalho forçado – é ressignificada como arma de criação e luta, lembrando que a terra cultivada por mãos negras também é terra reivindicada, sagrada, libertada. As esculturas também rememoram o duro trabalho escravizado na mineração durante o passado colonial e ao mesmo tempo em que remetem a atuação devastadora das grandes corporações mineradoras do presente.  


    Por sua vez, Fernando Costaa em sua produção artística vem investigando através das artes visuais questões ligadas à memória afrodiaspóricas, tais como os Orixás, culinária afrodescendente, sincretismo religioso e resistência negra através de curadorias, performances, gravuras, fotografias, instalações e oficinas. Para esse projeto, o artista traz suas Origrafias: gravuras onde rostos ancestrais emergem como arquivos sagrados. Nelas, o Orí se materializa em cabeças africanas ou afrodiaspóricas do passado que olham para os vivos do presente. Para o autor, cada obra é um mapa de olhares que sugerem dizer: “somos o passado que persiste e o futuro que ressurge”.

    As obras operam como “um dispositivo de memória, que funciona como espelho e montanha. Ao mesmo tempo em que nos ajudam a nos ver também projetam horizontes.". Ao todo, estarão expostas  nos centros culturais vinte obras, sendo dez de cada artista. A expografia será construída para dialogar com as particularidades de cada espaço. 

    Descentralização e Experiência Sensível

    A escolha por circular pelas regionais de BH, segundo Babilak Bah é uma decisão estratégica e política: “ocupar esses espaços significa aproximar a produção artística de públicos diversos, fortalecendo o acesso cultural em territórios com menor oferta de atividades e contribuindo para ampliar o diálogo entre arte, comunidade e formação sensível. Além disso, possibilita o contato com dimensões da arte negra em sua especificidade, inclusive em diálogo com perspectivas de pesquisa antropológica.”

    Fernando, complementa: "Queremos oportunizar arte àqueles que muitas vezes estão excluídos do acesso à cultura não massificada. Ocupar os espaços onde residem aqueles que mais foram afetados pelo processo de escravidão. Buscamos contrapor a exclusão socioespacial e cultural a que estão submetidos os moradores das periferias de BH".


    Oficinas “Plantas Afrodiásporicas” e “Ritmo, corpo e palavra"

    Como parte do projeto, serão oferecidas nos dias 20 de junho, no Centro Cultural Venda Nova e dia 14 de novembro, no Centro Cultural Usina da Cultura, a oficina “Plantas Afrodiásporicas”, ministrada por Fernando Costaa. Babilak Bah conduz, no dia 25 de julho, no Centro de Referência da Cultura Popular Lagoa do Nado, a oficina “Laboratório de linguagem: ritmo, corpo e palavra".

    Para os artistas, os momentos funcionam como desdobramento e aprofundamento das temáticas, fortalecendo a conexão entre o visitante e a obra, ao criar um campo sensível de escuta, participação e diálogo.

    “Em ‘Plantas afrodispóricas’ refletiremos sobre memória, ancestralidade e identidade, conectando as plantas da diáspora africana às experiências pessoais e coletivas dos participantes, contrapondo apagamentos históricos e preconceitos arraigados no cotidiano brasileiro. Dessa forma, como nas Origrafias falaremos sobre a mesma temática: memória afrodiaspórica no Brasil", pontua Fernando.

    A oficina conduzida por Babilak Bah também se relaciona com as obras presentes na exposição: “Há uma relação direta entre meu trabalho com as enxadas e a oficina que irei ministrar. Existe uma conexão entre minha produção em artes visuais e minha pesquisa com corpo, ritmo e palavra — dimensões que estão profundamente imbricadas e inter-relacionadas.”

    Para encerrar o ciclo de exposições nos centros culturais da capital mineira, o Centro Cultural Usina Da Cultura recebe no Dia da Consciência Negra, celebrado dia 20 de novembro, uma palestra da poeta, ensaísta, dramaturga, pesquisadora e Professora Emérita da Universidade Federal de Minas Gerais Leda Maria Martins. Na ocasião, a autora compartilhará suas percepções acerca da exposição Oríenxadigma. 

    Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. 


    Sobre Babilak Bah

    Artista do ruído, poeta, artista visual e arte-educador. Publicou quatro livros: Diáspora Descontente - 2021; Uma Clínica de Instantes Inusitados – 2021; Corpoletrado - 2009; Vôomiragem - 2003 e produziu dois CDs: Enxadário: Orquestra de Enxadas, em 2006, e Biografia de Homens Inquietos, em 2010, e o DVD Afroprogressivo, em 2014. 

    Como arte-educador criou o Coletivo Musical Trem Tan Tan, formado por cidadãos com sofrimento psíquico, produzindo o CD homônimo em 2002, o Sambabilolado em 2008 e o DVD Sambabilolado e Outros Tan Tans, em 2015. Trem Negreiro – 2023. 

    Integrou a exposição "Dos Brasil - Arte e Pensamento Negro" – 2024, organizado pelo SESC - São Paulo que reuniu 240 artistas de todo o país com trabalhos em diversas linguagens artísticas como pintura, fotografia, escultura, instalações e videoinstalações, produzidos entre o fim do século XVIII até o século XXI.

    Já foi premiado em três edições do Rumos - Itaú Cultural: Rumos Música, Rumos Educação, Cultura e Arte (2012), Rumos Literatura (2019/2020) e se apresentou nos projetos Pixinguinha, Conexão Vivo, Sesc Pompéia, entre outros.

    Excursionou pela Europa, por países como França, Espanha e Inglaterra e atualmente dedica-se à divulgação da instalação intitulada “Oguns Kabecilês - enxadigma, ao laboratório de linguagem: ritmo corpo e palavra”, dedicada a autores e autoras negras.

    É diretor artístico do ponto de cultura Trem Tan Tan e coordenador Festival de Música Doida. 


    Sobre Fernando Costaa

    É artista visual e geógrafo baseado na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Sua poética investiga as múltiplas relações entre memória afrodiaspórica, identidade e ancestralidade, tendo como principais suportes a gravura e seus desdobramentos, a fotografia, a escultura, a performance, o desenho, a realização de curadorias e oficinas. 

    Sua produção busca criar novas fabulações e narrativas que contraponham o ideário racista e discriminatório formador da sociedade brasileira, ativando redes de colaboração, construindo novas territorialidades éticas, estéticas, políticas de recorte afrocentrada. 

    Partindo de uma análise crítica da realidade, onde passado e presente se confrontam, busca aflorar contradições, opressões e injustiças que a população negra está submetida. 

    Por outro lado, também propõe evidenciar os modos de reelaboração que a cultura afro indígena brasileira constantemente se metamorfoseia, colocando em destaque os ricos insumos epistemológicos que essa cosmopercepção nos oferta.

    Ficha técnica

    Coordenação geral: Fernando Costaa

    Artistas Participantes: Fernando Costaa e  Babilak Bah 

    Curadoria: Fernando Costaa e Babilak Bah

    Produção Executiva: Michel Morais

    Fotografia e vídeo: Ícaro Moreno

    Expografia: Gabriela de Sá

    Design: Dani Vesh

    Comunicação: Rizoma Comunicação & Arte

    Contabilidade: Sheila Calixto

     

    SERVIÇO


    Exposição Oríenxadigma com Fernando Costaa e Babilak Bah

    Entrada gratuita.

    Mais informações no Instagram @orienxadigma.


    Centro Cultural Venda Nova 

    Período: 30 de maio a 30 de junho

    Endereço: Rua José Ferreira Santos, 184 - Jardim dos Comerciários - Venda Nova


    Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional (Lagoa do Nado)

    Período: 04 de julho a 04 de agosto

    Endereço: Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã


    Centro Cultural Padre Eustáquio 

    Período: 12 de setembro a 05 de outubro

    Endereço: Rua Jacutinga, 550 - Padre Eustáquio


    Centro Cultural Usina da Cultura 

    Período: 07 de novembro a 07 de dezembro

    Endereço: Rua Dom Cabral, 765 - Ipiranga


    Oficina "Plantas Afrodiaspóricas" com Fernando Costaa

    Ministrada por Fernando Costaa

    Data: 20 de junho

    Local: Centro Cultural Venda Nova 

    Endereço: Rua José Ferreira Santos, 184 - Jardim dos Comerciários - Venda Nova

    Horário: 10h às 12h 

    A inscrição será realizada via formulário disponibilizado no Instagram: @orienxadigma

    Oficina "Ritmo, Corpo e Palavra" com Babilak Bah 

    Data: 25 de julho

    Local: Centro de Referência da Cultura Popular Lagoa do Nado 

    Endereço: Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã

    Horário: 10h às 12h

    A inscrição será realizada via formulário disponibilizado no Instagram: @orienxadigma

    Oficina "Plantas Afrodiaspóricas" com Fernando Costaa

    Data: 14 de novembro

    Local: Centro Cultural Usina da Cultura 

    Endereço: Rua Dom Cabral, 765 - Ipiranga

    Horário: 10h às 12h

    A inscrição será realizada via formulário disponibilizado no Instagram: @orienxadigma

    Palestra com Leda Maria Martins 

    Data: 20 de novembro, Dia da Consciência Negra

    Local: Centro Cultural Usina Da Cultura 

    Endereço: Rua Dom Cabral, 765 - Ipiranga

    Horário: 10h às 11h30





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