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Belo Horizonte,15/05/2026

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    Motoristas de aplicativo ampliam renda com carros elétricos e aceleram busca por energia mais barata

    Levantamento nacional mostra aumento de até 70% na margem de lucro e reforça papel da energia elétrica como novo centro de custo da mobilidade urbana


    Motoristas de aplicativo ampliam renda com carros elétricos e aceleram busca por energia mais barata Para o diretor da Coesa Energia, Luís Fernando Roquette, o avanço dos carros elétricos cria uma nova dinâmica de consumo energético e aproxima os motoristas de soluções alternativas de fornecimento de energia (Foto Coesa Energia)

    A eletrificação da mobilidade urbana começa a ganhar força no Brasil por um motivo cada vez mais econômico. Entre motoristas de aplicativo, a troca dos veículos a combustão por modelos elétricos vem sendo impulsionada pelo aumento da rentabilidade da atividade, em um movimento que também altera a relação desses profissionais com o mercado de energia.

    Levantamento divulgado em abril de 2026 pela plataforma GigU, especializada em análise de desempenho de motoristas de aplicativo, aponta que profissionais que utilizam carros elétricos conseguem obter até 70% mais lucro em comparação aos veículos movidos a gasolina ou etanol.

    O estudo foi realizado com base em dados operacionais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros e mostra que a margem média dos condutores de veículos elétricos chega a 57%, enquanto nos automóveis a combustão o índice fica em 36,8%.

    A principal diferença está justamente no custo operacional. Com a substituição dos combustíveis fósseis pela eletricidade, o gasto por quilômetro rodado cai significativamente, reduzindo o impacto da volatilidade dos preços dos combustíveis sobre a renda dos trabalhadores.

    O efeito prático, segundo especialistas do setor energético, é uma mudança estrutural na lógica financeira da atividade. Se antes o abastecimento era o principal fator de pressão sobre os ganhos, agora a energia elétrica passa a ocupar papel central no orçamento dos motoristas.

    Para o diretor da Coesa Energia, Luís Fernando Roquette, o avanço dos carros elétricos cria uma nova dinâmica de consumo energético e aproxima os motoristas de soluções alternativas de fornecimento de energia.

    “O carro elétrico muda completamente a lógica de custo do motorista. A energia passa a ser o principal insumo da atividade, e hoje já existem alternativas que permitem reduzir esse gasto sem investimento inicial, o que impacta diretamente a renda de quem depende do veículo para trabalhar”, afirma.

    Segundo Roquette, o crescimento da mobilidade elétrica também começa a impulsionar o interesse por modelos como geração distribuída, energia solar compartilhada e energia por assinatura, especialmente entre profissionais que utilizam o veículo como ferramenta diária de trabalho.

    Nesse modelo, consumidores passam a utilizar créditos de energia gerados em usinas solares remotas, obtendo descontos na conta de luz sem necessidade de instalação de painéis solares nos imóveis. A alternativa vem sendo utilizada por consumidores residenciais e pequenos negócios, mas começa a avançar também entre usuários de veículos elétricos.

    A mudança ocorre em meio à consolidação do carro elétrico como alternativa financeiramente competitiva no país. Nos grandes centros urbanos, motoristas de aplicativo relatam redução relevante nos gastos mensais com abastecimento e manutenção, dois dos principais custos da atividade.

    Além da economia com combustível, os veículos elétricos também apresentam menor necessidade de manutenção mecânica, devido à redução do número de componentes móveis e à ausência de itens como óleo lubrificante, velas e sistemas tradicionais de combustão.

    O movimento, avaliam especialistas, tende a ampliar a conexão entre os setores de mobilidade e energia nos próximos anos. Com o crescimento da frota elétrica, a discussão sobre infraestrutura de recarga e custo da eletricidade deve ganhar protagonismo semelhante ao que os combustíveis tiveram nas últimas décadas.

    Para Roquette, a transformação já começou e deve impactar diretamente a forma como consumidores enxergam o mercado energético.

    “A energia deixa de ser apenas uma despesa doméstica e passa a fazer parte da estratégia de renda de milhares de trabalhadores. Isso muda a percepção do consumidor e acelera a busca por soluções mais eficientes e econômicas”, diz.




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