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Belo Horizonte,08/03/2026

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    De advogada a produtora de pão de queijo

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    De advogada a produtora de pão de queijo

    Quando decidiu deixar a advocacia após quase duas décadas de carreira, Luciana Peres não tinha um plano de negócios estruturado. O que existia era uma receita de família e a vontade de desacelerar. Dessa mudança nasceu a “Dona Celina – Pão de Queijo Artesanal” — história que ajuda a ilustrar, no Dia Internacional da Mulher, como muitas pequenas produtoras constroem seus negócios.





    Depois de 17 anos trabalhando na advocacia, Luciana não imaginava que encontraria um novo rumo profissional na cozinha. Mineira, ela cresceu acompanhando a mãe no preparo das refeições. “Desde pequena estava na cozinha. Era obrigatório ficar com ela às sextas-feiras ajudando, fazendo o mise en place”, lembra. Ainda assim, a ideia de cozinhar profissionalmente nunca havia passado pela sua cabeça.





    A mudança começou após um diagnóstico de burnout. O período de pausa e reflexão levou Luciana a rever o ritmo da própria rotina. “O burnout revelou que eu queria fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Tive que desacelerar”, conta. Cozinhar, naquele momento, passou a funcionar como uma espécie de terapia.





    Entre uma sessão de terapia e outra, ela começou a preparar pão de queijo aos domingos. O hábito, comum para quem cresceu em Minas Gerais, rapidamente chamou a atenção de amigos e familiares. Luciana levava as fornadas para encontros, para o trabalho e para reuniões entre amigos. Em 2015, durante o chá de bebê de uma amiga, os pães de queijo fizeram sucesso imediato. “Era sábado, e na segunda-feira me ligaram querendo encomendar. Foi um start. Pensei: isso pode dar certo”, recorda.





    Mesmo assim, a decisão de mudar de carreira não aconteceu de uma hora para outra. Deixar um cargo consolidado em um escritório de advocacia exigiu um processo gradual. “Precisei me despir de forma gradual de tudo que me cercava: benefícios, salário, algum prestígio, para que eu pudesse me encontrar”, diz. O negócio nasceu sem um plano estruturado. “Foi totalmente uma necessidade de ressignificar minha vida”, resume.





    Equilíbrio na cozinha





    A receita que deu origem ao empreendimento veio de um tio, em Uberaba, que possui ingredientes simples, mas de alta qualidade. Para Luciana, o segredo está no equilíbrio. “Os ingredientes de primeiríssima qualidade são a espinha dorsal da receita”, afirma. Depois disso, entram as proporções — uma combinação que, segundo ela, transforma o preparo em algo quase intuitivo. “No fundo, cozinhar é alquimia pura.”





    O nome do negócio também carrega uma história familiar. A marca foi batizada em homenagem à avó de Luciana, Dona Celina, com quem ela conviveu até a vida adulta. “Era uma mulher simples, mas muito sábia no trato com as pessoas”, lembra. O jeito acolhedor da avó acabou influenciando a forma como a empreendedora conduz o negócio hoje, buscando manter um ambiente de respeito e convivência entre todos que fazem parte da operação.





    O crescimento da empresa aconteceu de forma gradual. No início, a produção era feita na cozinha de casa e apenas uma vez por semana. Com o aumento da procura, os pedidos passaram a ocupar mais dias da agenda até que, alguns anos depois, surgiu a necessidade de uma cozinha profissional. A abertura de uma loja marcou um ponto de virada. “Antes eu fazia apenas delivery e vendas em feiras. Quando abrimos a loja, a produção duplicou já no primeiro ano”, conta.





    Hoje, a empresa conta com uma equipe majoritariamente feminina — algo que aconteceu de forma espontânea. Muitas das funcionárias chegaram por indicação de outras mulheres que já trabalhavam ali, criando uma rede de apoio que se fortaleceu com o tempo. Para a empresária, esse ambiente colaborativo é parte importante da identidade da marca.





    Liderar o crescimento do negócio também trouxe novos aprendizados. Acostumada a um ritmo acelerado, Luciana diz que precisou desenvolver mais escuta e diálogo dentro da equipe. “Aprendi que para todos os desafios a gente consegue achar uma solução. É preciso parar e conversar para alinhar as prioridades”, afirma.





    Negócio consolidado





    Hoje, Luciana Peres comanda a operação na zona sul de São Paulo e a empresa conta com um cardápio com 16 tipos de pães de queijo frescos e recheados, mantendo a inspiração nas tradições mineiras. Além da produção diária, a marca também distribui produtos congelados para restaurantes, empórios e mercados premium da capital e de cidades como Indaiatuba, Campinas, Itu, Monte Mor, Vinhedo e Ilhabela, além de Campo Grande (MS) e Salvador (BA).





    Sob sua liderança, são produzidos mais de 16 mil pães de queijo por semana — quase três toneladas por mês — resultado de um percurso que começou de forma despretensiosa e que, ao longo dos anos, transformou uma receita de família em um negócio consolidado.





    À frente da Dona Celina, Luciana segue conduzindo o negócio com o mesmo cuidado das primeiras fornadas feitas em casa. Quando olha para trás, para o momento em que decidiu mudar de caminho, a avaliação é simples. Se pudesse falar com aquela versão de si mesma, em 2015, a mensagem seria direta: “Você conseguiu. Você é porreta mesmo!”





    Serviço:





    @donacelina_artesanal
    Rua Amelia Correia Fontes Guimaraes, n. 20, São Paulo


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