Após adotar cachorra, empresário cria tapete higiênico biodegradável para pets e projeta faturar R$ 2 milhões

A chegada da cadela Cindy à família do empresário Gustavo Ferreira, de Atibaia (SP), trouxe mais do que alegria para a casa: revelou uma oportunidade de mercado. Incomodado com o impacto ambiental dos tapetes higiênicos tradicionais — que levam até 450 anos para se decompor —, Ferreira utilizou sua experiência no setor gráfico para fundar, em 2024, a CindPaper.
Com uma produção mensal de 200 mil unidades e um faturamento de R$ 250 mil em 2025, o negócio se diferencia pelo preço, sendo até 15% mais barato que os modelos de plástico, e pela eficiência na absorção.
A inquietação de Ferreira começou ao perceber que os acessórios comuns funcionam como fraldas descartáveis, compostas majoritariamente por polímeros plásticos e materiais tóxicos. "Fiquei imaginando a quantidade de tapetes plásticos que hoje estão indo para os lixões, aterros sanitários, rios e oceanos", recorda o empreendedor.
A solução estava no quintal de casa, ou melhor, na fábrica da família. Com histórico na produção de papéis autoadesivos, rótulos e etiquetas, Ferreira aproveitou a tecnologia e o maquinário já existentes para desenvolver o protótipo. O processo envolveu a união de uma bobina de papel já impermeabilizada a uma camada de papel toalha com alto poder de absorção.
A primeira noite de testes foi marcada pela tensão. "Praticamente não dormi de ansiedade para saber se ia dar certo", conta Ferreira. O resultado, validado pela mascote Cindy, foi positivo: o material reteve o líquido sem vazamentos e secou rapidamente, permitindo a reutilização antes do descarte.
O investimento inicial para adaptar a operação foi de aproximadamente R$ 50 mil. Após os testes domésticos, Ferreira distribuiu amostras para amigos, que reforçaram a viabilidade comercial do produto. A aceitação foi imediata, não apenas pelo viés ecológico, mas pela neutralização de odores.
Atualmente, a empresa produz 200 mil tapetes por mês. Além do benefício ambiental — o produto de Ferreira leva apenas 120 dias para desaparecer na natureza —, o fator econômico tem sido o principal motor de vendas. O item chega às prateleiras custando entre 10% e 15% menos que os concorrentes sintéticos.
A visão de Ferreira vai além do lucro. Para o empresário, a educação ambiental é um pilar do negócio. As embalagens, também feitas de papel reciclado, foram desenhadas para ocupar menos espaço logístico e trazem no verso histórias educativas com personagens como a calopsita Pita, o porquinho-da-índia Godo e a própria "Super Cindy".
Para 2026, Ferreira projeta um salto ambicioso, mirando um faturamento de R$ 2 milhões. "Não é só vender tapete. É educar e cuidar do meio ambiente e dos animais ao mesmo tempo. Sempre vale a pena investir em um sonho que nasce com um propósito", conclui o empresário.
Veja a seguir a reportagem completa, que foi ao ar no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo:
Empreendedor aposta em tapete pet de papel e cria alternativa ao plástico
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