Animais silvestres de vida livre também chamam a atenção de quem visita o Zoológico e o Jardim Botânico

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Belo Horizonte,03/04/2026

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    Animais silvestres de vida livre também chamam a atenção de quem visita o Zoológico e o Jardim Botânico

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    Animais silvestres de vida livre também chamam a atenção de quem visita o Zoológico e o Jardim Botânico

    Animais silvestres de vida livre também chamam a atenção de quem visita o Zoológico e o Jardim Botânico

    ISADORA MACIEL POEIRAS SANTOS




    Além dos cerca de 3,5 mil animais de 198 espécies sob cuidados do Zoológico de Belo Horizonte, muitos bichos de vida livre usam as áreas verdes do Zoo e do Jardim Botânico como corredor ecológico ou mesmo como moradia. Só de aves, já foram registradas 150 espécies no espaço gerenciado pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB).

    Para se ter uma ideia da riqueza da fauna silvestre nesses espaços de lazer de BH, a lista inclui tucanos, jacus, saracuras, periquitos, garças, papagaio-verdadeiro, gaviões, falcões, canários, sabiás, rolinhas, urubus, carrapateiros, bem-te-vis e colhereiros, entre outros. As áreas verdes da FPMZB são importantes refúgios dessas aves e têm papel fundamental na conservação das espécies.

    Com a perda de habitat, o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) é a espécie mais traficada no Brasil e está na categoria "quase ameaçada" (NT) da lista brasileira do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e mundial da União Internacional para a Conservação da Natureza (em inglês, International Union for Conservation of Nature, IUCN).

    Em Minas Gerais, a última lista do Instituto Estadual de Florestas (IEF), de 2010, aponta duas espécies na categoria de ameaça: o gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) e o colhereiro (Platalea ajaja).

    “É um número bem expressivo (de animais de vida livre) para uma mata dentro de área urbana. Isto reitera a importância ecológica e da manutenção destas áreas verdes para as espécies de aves e também para outros animais”, ressalta o biólogo da FMPZB e observador de aves da Ecoavis, Juan Espanha.

    O especialista explica porque o Zoológico e a Zoobotânica funcionam como corredor ecológico. “Dentro da matriz urbana, essas áreas verdes se conectam com o Parque Ecológico da Pampulha e com a própria Lagoa da Pampulha, via Córrego Bom Jesus, e formam um mosaico de áreas verdes na região da Pampulha, sendo, portanto, importante refúgio da vida silvestre tanto para alimentação quanto para abrigo e reprodução”.

    Ninhal comunitário

    Um dos destaques para os admiradores de aves é o ninhal que se formou próximo à entrada da Portaria 1 da Zoobotânica. Segundo Juan, ele chama atenção pela quantidade de aves que abriga. No período reprodutivo, quatro espécies são frequentemente observadas: garça-branca-grande (Ardea alba), garça-branca-pequena (Egretta thula), garça-vaqueira (Bulbucus ibis) e socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax).

    No ninhal também já foram vistas algumas espécies de aves de rapina, com destaque para as duas mais incomuns na região: falcão-de-coleira (Falco femoralis) e gavião-preto (Urubitinga urubitinga).

    Juan Espanha ressalta que o trabalho de observação de aves foi feito pela Ecoavis durante doze meses consecutivos. “É importante que a amostragem seja realizada durante um ano inteiro, para que possamos observar as aves em todas as estações (sazonalidade) e também para conseguirmos observar as migratórias”.

    O principal objetivo do trabalho é possibilitar a primeira catalogação oficial das espécies de aves de vida livre, para que a listagem seja divulgada e possa subsidiar outras pesquisas.

    Outros animais

    Assim como as aves, os mamíferos, répteis e anfíbios também buscam abrigo e condições climáticas adequadas para se alimentar e se reproduzir, e muitas vezes são avistados em vida livre por quem frequenta o Zoo e Jardim Botânico. No grupo dos mamíferos, as espécies mais avistadas são esquilo ou caxinguelê (Sciurus Guerlinguetus brasiliensis ingrami), mico-estrela-de-tufos-pretos (Callithrix penicillata), saruê ou gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) e preguiça comum (Bradypus variegatus).

    Em relação aos répteis, os destaques são os teiús (Salvator merianae), o lagartinho-da-mata (Ecpleopus gaudichaudii) e as anfisbenas ou cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena alba e Leposternon cf. microcephalum).

    Além disso, esporadicamente, em locais e horários específicos, já foi possível observar até o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris). Ainda no grupo dos anfíbios, destacam-se os abundantes sapos-cururu (Rhinella diptycha) e, na época das chuvas, a cecília ou cobra-cega (Siphonops annulatus).

    Orientações para os visitantes

    Conhecer a rica fauna da Zoobotânica é muito relevante para futuros estudos, visando a conservação das espécies. Como são áreas que recebem muitos visitantes, o médico-veterinário Carlyle Mendes Coelho, gerente de Veterinária do Jardim Zoológico, orienta as pessoas que ao avistarem um animal silvestre de vida livre, deve-se observá‑lo à distância, sem tentar se aproximar, tocar, capturar ou oferecer qualquer tipo de alimento, mantendo a calma e evitando barulhos ou movimentos bruscos.

    “Em situações de suspeita de doença, agressividade anormal ou risco direto à população, a conduta correta é não intervir por conta própria e acionar imediatamente os responsáveis pela área, que vão comunicar os órgãos ambientais e/ou de Saúde do município. Alimentar animais silvestres traz riscos sanitários e comportamentais importantes, como transmissão de zoonoses, acidentes por mordeduras e mudanças prejudiciais no comportamento natural da fauna”, alerta Calyle.
     




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